Goiás registra 121 mortes por SRAG e idosos concentram 70% dos óbitos; cobertura vacinal ainda está abaixo do esperado

Estado contabiliza quase 2.800 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026. SES-GO alerta para baixa adesão à vacina da gripe e convoca municípios a intensificarem busca ativa dos grupos de risco

 

Goiás enfrenta um cenário preocupante de doenças respiratórias graves. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) divulgou nesta quinta-feira (23) um boletim que registra 2.713 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 121 óbitos confirmados no estado em 2026. Os números revelam um perfil epidemiológico duplamente crítico: crianças pequenas lideram as internações, enquanto os idosos concentram a esmagadora maioria das mortes.

Panorama atual da SRAG em Goiás — 2026
2.713
casos confirmados de SRAG
121
óbitos confirmados
70%
dos óbitos são de idosos (+60 anos)
66%
dos casos são em crianças menores de 9 anos
16,19%
cobertura vacinal contra Influenza em Goiás
2,7 mi
pessoas nos grupos prioritários de vacinação

O paradoxo revelado pelos dados é que crianças adoecem mais — 1.799 dos casos registrados são de menores de 9 anos (66%) —, mas são os idosos quem morrem em maior proporção: dos 121 óbitos, 85 são de pessoas com mais de 60 anos. Apenas 11 mortes ocorreram entre crianças na mesma faixa etária. A explicação está na combinação de fatores típicos do envelhecimento: presença de comorbidades, sistema imunológico mais frágil e maior tendência à evolução para formas graves da doença.

Óbitos por faixa etária (total: 121)
Idosos (60+): 85 mortes70%
Crianças (até 9 anos): 11 mortes9%
Demais faixas etárias: 25 mortes21%
A cobertura vacinal contra a gripe (Influenza) em Goiás está em apenas 16,19% — abaixo mesmo da média nacional de 16,92%. O estado recebeu 935.800 doses do Ministério da Saúde desde o início da campanha, em 28 de março, mas a adesão dos grupos prioritários ainda é baixa. A meta do Ministério da Saúde é atingir 90% de cobertura nesses grupos.

A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, pediu que os municípios adotem uma postura mais ativa na busca por esses pacientes, especialmente aqueles com dificuldade de locomoção. A orientação é que a vacina chegue às pessoas — não o contrário.

O que é SRAG? A Síndrome Respiratória Aguda Grave é uma forma severa de infecção respiratória que pode ser causada por vírus como Influenza, Covid-19, VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e outros agentes. Requer internação hospitalar e, em casos mais graves, suporte com oxigênio ou ventilação mecânica. É monitorada pela vigilância epidemiológica como indicador de pressão sobre o sistema de saúde.

Além da vacina contra a gripe, o SUS disponibiliza outras proteções imunológicas para os grupos mais vulneráveis. Veja o que está disponível:

Vacinas e imunobiológicos disponíveis no SUS — Goiás 2026

Influenza: indicada para idosos (60+), crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestantes. Disponível em todos os municípios goianos desde 28 de março.

Covid-19: disponível para os grupos prioritários conforme calendário nacional vigente.

Vacina anti-VSR para gestantes: protege indiretamente o bebê contra o Vírus Sincicial Respiratório nos primeiros meses de vida.

Nirsevimabe (anticorpo monoclonal): indicado para prematuros com menos de 37 semanas e bebês com comorbidades menores de 2 anos, como proteção direta contra VSR.

Os dados completos, incluindo o detalhamento de casos e óbitos por tipo de vírus respiratório identificado, estão disponíveis no painel epidemiológico online da SES-GO. A secretaria reforça que vacinação, vigilância ativa, diagnóstico precoce e manejo clínico adequado são as ferramentas centrais para reduzir internações e evitar que o sistema de saúde seja sobrecarregado durante o período de maior circulação de vírus respiratórios — especialmente o inverno, que se aproxima.