Goiás enfrenta um cenário preocupante de doenças respiratórias graves. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) divulgou nesta quinta-feira (23) um boletim que registra 2.713 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 121 óbitos confirmados no estado em 2026. Os números revelam um perfil epidemiológico duplamente crítico: crianças pequenas lideram as internações, enquanto os idosos concentram a esmagadora maioria das mortes.
O paradoxo revelado pelos dados é que crianças adoecem mais — 1.799 dos casos registrados são de menores de 9 anos (66%) —, mas são os idosos quem morrem em maior proporção: dos 121 óbitos, 85 são de pessoas com mais de 60 anos. Apenas 11 mortes ocorreram entre crianças na mesma faixa etária. A explicação está na combinação de fatores típicos do envelhecimento: presença de comorbidades, sistema imunológico mais frágil e maior tendência à evolução para formas graves da doença.
A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, pediu que os municípios adotem uma postura mais ativa na busca por esses pacientes, especialmente aqueles com dificuldade de locomoção. A orientação é que a vacina chegue às pessoas — não o contrário.
Além da vacina contra a gripe, o SUS disponibiliza outras proteções imunológicas para os grupos mais vulneráveis. Veja o que está disponível:
Influenza: indicada para idosos (60+), crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestantes. Disponível em todos os municípios goianos desde 28 de março.
Covid-19: disponível para os grupos prioritários conforme calendário nacional vigente.
Vacina anti-VSR para gestantes: protege indiretamente o bebê contra o Vírus Sincicial Respiratório nos primeiros meses de vida.
Nirsevimabe (anticorpo monoclonal): indicado para prematuros com menos de 37 semanas e bebês com comorbidades menores de 2 anos, como proteção direta contra VSR.
Os dados completos, incluindo o detalhamento de casos e óbitos por tipo de vírus respiratório identificado, estão disponíveis no painel epidemiológico online da SES-GO. A secretaria reforça que vacinação, vigilância ativa, diagnóstico precoce e manejo clínico adequado são as ferramentas centrais para reduzir internações e evitar que o sistema de saúde seja sobrecarregado durante o período de maior circulação de vírus respiratórios — especialmente o inverno, que se aproxima.