Câmara de Goiânia rejeita homenagem a torcidas antifascistas por 14 votos a 5
Proposta de Fabrício Rosa foi barrada após pedido de votação separada feito por Igor Franco; vereadores também discutiram possível associação da homenagem ao bolsonarismo.
A Câmara Municipal de Goiânia rejeitou, nesta terça-feira (3), uma proposta que previa a realização de uma sessão especial em homenagem às torcidas antifascistas dos clubes de futebol da capital. O requerimento, apresentado pelo vereador e deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT), recebeu 14 votos contrários e cinco favoráveis durante a 91ª Sessão Ordinária.
A proposta, registrada como Requerimento Legislativo nº 4.205/2026, havia sido protocolada em 27 de outubro e buscava reconhecer grupos de torcedores ligados ao Atlético Goianiense, Goiás e Vila Nova que se identificam com o movimento antifascista.
A rejeição ocorreu após o vereador Igor Franco (Podemos) solicitar destaque para a matéria. O procedimento retirou o requerimento da votação em bloco, utilizada normalmente para esse tipo de proposição, e permitiu que o pedido fosse analisado individualmente, com registro nominal dos votos no painel eletrônico.
Durante a discussão, vereadores contrários à homenagem argumentaram que a iniciativa poderia representar uma crítica indireta ao bolsonarismo. Entre os parlamentares que questionaram a proposta estavam Igor Franco e Oséias Varão (PL).
Entretanto, o texto apresentado por Fabrício Rosa não mencionava o ex-presidente Jair Bolsonaro, o bolsonarismo ou qualquer partido político. O requerimento tratava especificamente da realização de uma solenidade para homenagear torcidas organizadas em torno de pautas antifascistas.
Ao defender a proposta, Fabrício Rosa afirmou que o objetivo era reconhecer a atuação desses grupos no futebol goianiense e destacou a importância de manifestações contrárias ao fascismo nos estádios.
O parlamentar também mencionou a existência de movimentos antifascistas entre torcedores dos três principais clubes da capital e agradeceu aos vereadores que apoiaram o requerimento.
Entre os parlamentares que votaram favoravelmente estavam Aava Santiago (PSB), Doutora Rose Cruvinel (União Brasil), Professor Edward Madureira (PT), Ronilson Reis (Solidariedade) e o próprio autor da proposta.
Já os votos contrários foram registrados por Dr. Gustavo (Agir), Isaias Ribeiro (Republicanos), Major Vitor Hugo (PL), Oséias Varão (PL), Sanches da Federal (PP), Sargento Novandir (Democrata), Welton Lemos (Novo), Willian do Armazém (PRTB), Willian Veloso (PL), Igor Franco (Podemos), Thialu Guiotti (Avante), Heyler Leão (PP), Coronel Urzeda (PL) e Leo José (Solidariedade).
Câmara também discutiu criação de comenda em homenagem a Charlie Kirk
A rejeição da homenagem às torcidas antifascistas ocorreu poucos dias depois de a Câmara Municipal aprovar, em primeira votação, um projeto de autoria de Igor Franco que propõe a criação da Comenda de Mérito Charlie Kirk.
A honraria leva o nome do ativista conservador norte-americano, fundador da organização Turning Point USA, conhecido por sua atuação política nos Estados Unidos e por posicionamentos contrários a políticas de diversidade e a determinadas pautas defendidas por movimentos progressistas.
A proposta estabelece a concessão anual da comenda a pessoas que se destaquem na defesa de valores conservadores, cristãos e da liberdade individual. O texto prevê até 50 homenageados por solenidade, mediante indicação dos vereadores.
A votação ocorreu de forma simbólica e teve manifestações contrárias de Fabrício Rosa e Aava Santiago.
Os dois projetos possuem finalidades diferentes. Enquanto o requerimento de Fabrício Rosa propunha uma sessão especial destinada a grupos de torcedores da capital, a iniciativa de Igor Franco prevê a criação de uma homenagem permanente no Legislativo municipal.
A diferença entre os resultados das votações também evidencia divergências políticas entre os vereadores sobre os critérios e os grupos que devem receber reconhecimento institucional da Câmara.
Com a rejeição do requerimento, a sessão especial dedicada às torcidas antifascistas não será realizada nos termos da proposta apresentada. Já o projeto que cria a Comenda Charlie Kirk, aprovado em primeira votação, ainda depende das demais etapas de tramitação legislativa para entrar em vigor.