
Trump demite diretora do Federal Reserve em meio a acusações de fraude
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (25) a demissão imediata de Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central americano. A decisão, publicada pelo próprio presidente em sua rede Truth Social, marca um episódio inédito e polêmico, já que é a primeira vez que um membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) é afastado dessa forma.
Motivo da demissão
Trump justificou a medida citando o artigo 2º da Constituição dos EUA e o Ato do Federal Reserve de 1913, que permitem a remoção de dirigentes por “justa causa”. O presidente alegou não ter confiança na integridade de Lisa Cook após denúncias de fraude hipotecária apresentadas por William Pulte, presidente do conselho da Agência Federal de Financiamento Habitacional (FHFA).
Segundo Pulte, Cook teria assinado declarações contraditórias em dois documentos de hipoteca — um referente a uma residência em Michigan e outro, duas semanas depois, a uma propriedade na Geórgia.
“À luz da sua enganosa e potencialmente criminosa conduta em um assunto financeiro, eu não tenho confiança em sua integridade”, afirmou Trump no comunicado.
Repercussões políticas e econômicas
Lisa Cook, indicada pelo então presidente Joe Biden em 2022 e primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na diretoria do Fed, costumava acompanhar a linha do presidente da instituição, Jerome Powell, votando pela manutenção das taxas de juros.
Sua saída abre caminho para que Trump indique um novo nome, possivelmente mais alinhado à sua pressão por cortes agressivos de juros — pauta que tem sido central em seu segundo mandato.
A medida reacende o debate sobre a independência do Federal Reserve, preocupação já levantada quando Trump passou a atacar publicamente Powell, chamando-o de “atrasado” e “político demais”.
Contexto e possíveis impactos
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Lisa Cook assumiu o cargo em 2022, com mandato até 2027.
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Trump já havia cogitado exigir sua renúncia na semana passada.
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O afastamento pode aumentar a volatilidade dos mercados, já que o Fed é responsável por decisões que afetam a economia global, como a definição das taxas de juros americanas.
Economistas avaliam que a demissão pode gerar instabilidade internacional, tanto pela quebra de tradição da independência da autoridade monetária quanto pela incerteza sobre os rumos da política econômica dos EUA.