
Lisa Cook recorrerá à Justiça para tentar permanecer no Federal Reserve
A disputa entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (26). Um dia após Trump anunciar sua demissão “com efeito imediato”, o Fed divulgou comunicado informando que Cook, por meio de seu advogado, buscará decisão judicial que confirme seu direito de continuar no cargo.
O que diz o Federal Reserve
Em nota oficial, a instituição afirmou que “Lisa Cook indicou, por meio de seu advogado, que entrará rapidamente na Justiça para contestar a decisão e buscar confirmação de sua permanência como membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve System, nomeado pelo Senado”. O porta-voz acrescentou que o Fed “cumprirá qualquer decisão judicial” e destacou que longos mandatos e proteções contra demissões são “garantias vitais para assegurar que decisões de política monetária sejam baseadas em dados, análise econômica e nos interesses de longo prazo do povo americano”.
Contexto da demissão
Trump justificou a exoneração alegando que Cook teria cometido declarações falsas em contratos de hipoteca — um na cidade de Michigan e outro, poucos dias depois, na Geórgia. O republicano disse não confiar mais na integridade da diretora, citando o artigo 2º da Constituição e o Ato do Federal Reserve de 1913, que prevê a possibilidade de demissão por justa causa.
Cook é a primeira mulher negra a ocupar o cargo de governadora no Fed e vinha votando de forma alinhada ao presidente da instituição, Jerome Powell, inclusive em decisões recentes de manter estáveis as taxas de juros. Sua saída abriria espaço para Trump indicar um novo nome com perfil mais favorável ao corte agressivo de juros.
Próximos passos e impactos
O advogado de Cook, Abbe Lowell, já anunciou que entrará com ação contra a decisão presidencial. O Departamento de Justiça não apresentou denúncias nem abriu procedimento formal contra ela. Até que a Justiça se pronuncie, o Fed indica que Cook segue como integrante do colegiado.
A polêmica ocorre a menos de um mês da próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para 16 e 17 de setembro, quando pode haver corte na taxa básica de juros — medida que Trump pressiona abertamente.