Briga entre União e estados sobre ICMS do diesel deixa população sem alívio no bolso
O embate entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governo federal em torno da redução do ICMS sobre o diesel escancara mais um capítulo da disputa política que, na prática, acaba recaindo diretamente sobre a população. Enquanto a União defende a diminuição de impostos como forma de aliviar o preço dos combustíveis e conter a inflação, os estados resistem à medida alegando perda de arrecadação e risco para serviços essenciais. No meio desse impasse, quem paga a conta é o consumidor.
A proposta do governo federal parte do princípio de que a redução de tributos pode ajudar a baixar o valor do diesel nas bombas, impactando positivamente o transporte, o custo dos alimentos e a cadeia produtiva como um todo. De fato, a União já vem adotando medidas nesse sentido, abrindo mão de parte de sua arrecadação para tentar conter a alta dos preços. No entanto, como o ICMS é um imposto estadual, a adesão dos governadores é fundamental para que o efeito seja mais significativo.
É justamente nesse ponto que surge o conflito. Governadores, como Caiado, argumentam que reduzir o ICMS significa abrir mão de receitas importantes que financiam áreas como saúde, educação e segurança pública. Do outro lado, o governo federal sustenta que os estados também precisam contribuir para amenizar o impacto econômico sobre a população. O resultado é um jogo de empurra, em que cada ente tenta transferir a responsabilidade para o outro.
Para o cidadão comum, pouco importa de onde vem o problema — o que pesa é o preço final. Quando não há alinhamento entre União e estados, as medidas perdem força e acabam não chegando de forma efetiva ao bolso do consumidor. Além disso, há o risco de que eventuais reduções de impostos nem sequer sejam totalmente repassadas, ficando parcialmente retidas na cadeia de distribuição e revenda.
Essa disputa política revela uma fragilidade recorrente do modelo federativo brasileiro: a dificuldade de coordenação em momentos de crise. Enquanto líderes trocam críticas e defendem seus interesses fiscais e políticos, o diesel continua caro, pressionando o custo de vida, o preço dos alimentos e o transporte em todo o país.
No fim das contas, a sensação que fica para a população é de desorganização e falta de solução concreta. O governo federal sinaliza que abriu mão de parte dos impostos, os estados dizem que não podem perder arrecadação, e o consumidor segue sem perceber alívio real no dia a dia. Mais do que uma divergência técnica, o episódio evidencia como a falta de alinhamento político pode transformar uma possível solução em mais um problema para quem está na ponta.