Pedido de impeachment de Lula apresentado por Nikolas Ferreira deve ter pouco avanço, mas agita base bolsonarista

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (16), alegando crime de responsabilidade por suposta omissão diante de ações do Supremo Tribunal Federal (STF) que atingem o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. O documento foi protocolado na Câmara dos Deputados e engrossa a lista de pedidos semelhantes que já ultrapassam 60 desde o início do terceiro mandato de Lula.

A iniciativa ocorre em meio a um cenário político tenso, marcado pela crise comercial com os Estados Unidos, após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O estopim, segundo analistas, foi uma carta divulgada por Trump que acusava o Brasil de promover uma “perseguição judicial” contra Bolsonaro — tese ecoada por parlamentares da oposição.

Nikolas argumenta que Lula, ao não se posicionar contra decisões do STF, estaria sendo conivente com abusos de poder e violando preceitos constitucionais. O deputado também relaciona a escalada da crise com os EUA à atuação do governo brasileiro, sugerindo que a política externa adotada contribuiu para o agravamento do cenário.

Apesar da repercussão entre bolsonaristas, a proposta deve encontrar barreiras para avançar. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem evitado pautar pedidos de impeachment que possam gerar instabilidade política e, nos bastidores, interlocutores do governo apontam que não há ambiente político nem jurídico para o acolhimento da medida.

Especialistas em direito constitucional ressaltam que críticas ao Judiciário ou discordâncias em matéria diplomática não configuram, por si só, crime de responsabilidade. Ainda assim, o gesto de Nikolas é visto como estratégico: mobiliza a base conservadora e mantém a narrativa de “perseguição” ativa no debate público, especialmente após o avanço das investigações sobre a tentativa de golpe em 2022.

Enquanto isso, o governo Lula tenta reforçar sua imagem diante da crise econômica e política. A defesa da taxação de super-ricos, o embate com Trump e o aumento de sua aprovação nas últimas pesquisas têm servido como elementos para consolidar apoio entre setores da classe média e do eleitorado jovem.