Operação Confrades: investigação do MPGO aponta para esquema estruturado de manipulação de contratos com construtoras na Agehab
Novas informações sobre a Operação Confrades foram apresentadas nesta quarta-feira (18/3), durante entrevista coletiva concedida pelos integrantes do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP), promotores de Justiça Augusto César Borges Souza e Tommaso Leonardi. A coletiva foi realizada às 16h30, na sede do Ministério Público de Goiás (MPGO).
Na ocasião, o MPGO, por meio do GAEPP, atualizou os dados da investigação que apura um suposto esquema de irregularidades em contratações da Agência Goiana de Habitação (Agehab). Segundo os promotores, há indícios de um dano significativo aos cofres públicos.
De acordo com o grupo, o balanço completo da operação ainda está em andamento, mas as apurações já apontam para a existência de um esquema estruturado de manipulação de contratos. O esquema, conforme as investigações, consistia na alteração de planilhas orçamentárias para favorecer construtoras com vínculos com integrantes da agência.

Também foram identificados indícios de cooptação de setores técnicos da Agehab, com o objetivo de atender interesses particulares. As investigações apontam ainda interferências diretas em editais e normas técnicas, com mudanças que beneficiariam empresas específicas, além de flexibilizações indevidas em regras previamente estabelecidas.
Outro ponto destacado é que uma empresa que estaria impedida de contratar teria, na prática, recebido privilégios, resultando em maior participação nos contratos firmados a partir de 2024.
As apurações também revelam possíveis represálias contra servidores do corpo técnico, incluindo denúncias de demissões arbitrárias, o que teria contribuído para viabilizar as irregularidades dentro da estrutura da agência.
Investigação teve início no ano passado
A investigação teve início no primeiro semestre de 2025, a partir de denúncias que apontavam essas práticas e a possível existência de favorecimento indevido em contratos ligados ao programa habitacional Pra Ter Onde Morar.
“A investigação está em curso. O objetivo é apurarmos de que forma essas ingerências aconteciam e todos os responsáveis por isso”, afirmou o promotor de Justiça Augusto César Borges Souza.
A operação foi deflagrada com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em Goiânia e Anápolis, além de medidas realizadas na própria sede da Agehab. Por decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, também foi determinado o afastamento temporário de dois integrantes do corpo gestor da agência, suspeitos de participação no esquema.
“Nesse primeiro momento, estamos trabalhando na área da improbidade administrativa e, posteriormente, pode haver atuação na esfera criminal”, destacou o promotor de Justiça Tommaso Leonardi.
As irregularidades apuradas não dizem respeito à gestão ou aos objetivos do programa, mas à conduta dos agentes públicos responsáveis pela contratação da construtora. (Texto: Renan Castro/Residente da Assessoria de Comunicação Social do MPGO – Fotos: Fernando Leite)
